“Neurologically, we really do know more than we can say.”

O título desse post, assim como os tweets abaixo, são do neurocientista Moran Cerf durante apresentação no MIT Media Lab hoje à tarde. É evidente que não conhecemos todo o potencial de nossos cérebros, mas também que não estamos preparados para incorporar nossas mentes à tecnologia, pelo menos não sem levantar barreiras éticas ou de privacidade.

Se não conseguimos expressar tudo o que pensamos, há uma grande fatia que permanece enclausurada e nunca chega a ver a luz do dia.

Understanding how the brain works leads to understanding why we do what we do.

We think we’re in control because the things we want are happening; we assume we’re the one driving the wagon.

Changes to our brain lead to changes in our behavior.

We rewrite history to explain how we ended up where we are. Our brains justify everything.

When the brain recognizes something our brain cells burst into activity, and we can see the moment before it happens.

We observe our own language as much as the audience does, but we claim agency of our words.

We can now see brain activity without actually going inside the brain.

In 2010 I was misquoted saying a dream recorder was possible, and argued against it. Four years later it was invented

We can see that you’re going to make a choice seconds before you make it, and play your own brain against you.

By looking inside the brain we can anticipate every move, no matter how fast a person moves.

By monitoring brain activity we can tell what ending an audience will want from the movie they are watching.

Your bodies listens to and react to cues much faster than you can consciously process them.

When we’re sleeping we do shut down some of the barriers in the brain. We get much more access to who you really are.

You’re a lot less likely to lie to yourself when you are sleeping.

The biggest problem with bringing brain-reading tech to market is that we are not ready for it.

#MLTalk (@medialab)

Sobre escrever…

“it’s like you’re floating in an ocean, and you want to build a raft. so you just float there and you wait and wait. and eventually this little piece of something comes drifting by, maybe a memory, and you hang on to it, and then another little piece comes around, it is unrelated, maybe it’s a funny sentence you overheard somewhere. and you keep collecting all these little things that just sort of drift by… a dream, a beautiful sentence in your head that just appeared while doing the dishes, an anecdote you stole from your old diary… and eventually you find connections between all the things and with all these parts you’ve gathered up you now have enough stuff to build a raft. and then once you have the raft you can remove all the bits that don’t quite fit anymore, the spare parts that you didn’t need after all, you toss them back or maybe save them for another raft later. when i write, there isn’t a lot of active effort or swimming around, or calculation… for me that can be very poisonous to creativity. the big ideas won’t happen right when you mentally stress on them… it is more a matter of being patient and being open to all the things that just drift in”
– Don Hertzfeldt

Source

Cursos online

Reportagem legal na Você S/A desse mês com a indicação de 20 cursos online muito interessantes.

Abaixo os tópicos e o site, mas na revista tem o resumo, carga horária e mais detalhes.

1. Líderes empreendedores (Veduca)
2. Crescimento inteligente para negócios privados (Coursera)
3. Inglês para negociações (Ciatech)
4. Estratégia competitiva (Coursera)
5. Seja mais criativo (Coursera)
6. Treinamento de liderança inclusiva: tornando-se um líder de sucesso (edX)
7. Negociações de sucesso: técnicas e estratégias essenciais (Coursera)
8. Segredos para um crowdfunding de sucesso (Udemy)
9. Como montar uma argumentação persuasiva (Udemy)
10. Administração do tempo (iPED)
11. Conhecimento: diferencial competitivo (Ciatech)
12. Marketing para empreendedores (Udemy)
13. Análise de riscos: analisando riscos corporativos (Udemy)
14. Como reconhecer e contratar os melhores (Udemy)
15. Comportamento e comunicação em eventos empresariais (Portal Educação)
16. Administração do tempo (iPED)
17. Motivação (Ciatech)
18. Gestão da inovação (Veduca)
19. Startup: ferramentas (Udemy)
20. Superar desafios (Ciatech)

Plenamente humano

“O homem, apesar de todo o progresso intelectual e técnico, ainda está preso ao culto idólatra dos laços sanguíneos, da propriedade e das instituições. Sua razão ainda é governada pelas paixões irracionais. Ainda não experimentou o que é ser plenamente humano. Ainda temos um duplo padrão de valores para julgar nossos grupos e os outros. A história do homem civilizado é, até agora, realmente muito curta, comparável a menos de uma hora na vida de um homem. Não é de surpreender ou de desanimar o fato de que não tenhamos ainda atingido a maturidade.”

Erich Fromm

2015: é momento de investir!

A pecuária de corte é uma atividade de extrema importância para o Brasil, tanto do ponto de vista de sua participação no PIB Agropecuário, quanto pela importância das proteínas animais na alimentação humana. Atualmente, a carne de frango segue como mais consumida, mas a carne bovina permanece como preferência nacional.

Dessa forma, a carne bovina tem peso significativo nos gastos da população, inclusive com influência na inflação geral de preços. Essa participação se reduziu ao longo das últimas décadas, conforme o aumento no poder de renda foi superior à variação dos preços dos alimentos, em grande parte por ganhos de produtividade do setor agrícola.

Apesar dessa melhora, os índices zootécnicos e de produtividade da bovinocultura brasileira permanecem baixos e com uma amplitude enorme, afinal temos o maior rebanho comercial do mundo, espalhado pela 5ª maior extensão territorial, com diferenças climáticas, de sistemas produtivos, de cultura, da raça dos animais, etc.

Condições como essas poderiam sinalizar um ambiente de investimentos desfavorável, mas estamos entrando em um novo ciclo das commodities agrícolas, apenas desta vez restrita às proteínas animais.

Ciclo das commodities

De acordo com o índice de preços da FAO (Órgão das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), considerando os anos de 2002 a 2004 como base, nós vivenciamos uma alta extraordinária dos preços dos alimentos em 2010 que, mesmo após a acomodação, permanece muito acima da base.

Entretanto, quando analisamos a variação nos preços por grupo, observa-se que o grupo de carnes (Meat) foi o último a entrar neste movimento de alta. Numa série mais longa, disponível no site da FAO, fica evidente que até 2006, aproximadamente, todos os grupos caminhavam juntos, com alguns repiques de preços pontuais, mas a partir de 2006 ficamos para trás.

Ao final de 2014, todos os grupos inverteram suas tendências e iniciaram uma fase de baixa, inclusive o grupo carnes, mas, ao contrário do observado para os outros grupos, este movimento deve ser extremamente positivo, uma vez que enquanto a maioria das produções são de ciclo anual, inclusive de carne de frango e suína, entre outras, a produção de carne bovina tem um ciclo mais longo, na média entre 2 e 4 anos.

Com os preços em queda das culturas agrícolas, produtores voltam a olhar para a pecuária como oportunidade de investimento. Após anos de preços altos para milho e soja, por exemplo, a perspectiva para 2015 é de rentabilidade baixa e desinvestimento para os produtores de grãos.

Melhora na rentabilidade

Na pecuária de corte, por outro lado, as margens estão favoráveis para cria, recria-engorda e ciclo completo, fato atípico. A retenção de fêmeas, que levará ao aumento no rebanho nos próximos anos, está apenas no início e deve refletir na oferta de animais para abate nos próximos anos.

É interessante observar que a pressão ambiental impediu a pecuária de expandir horizontalmente nos últimos anos, enquanto a agricultura forçou sua retração. A pecuária, portanto, vem deixando de ser uma atividade de fronteira agrícola e também de ser uma atividade imobiliária, cuja função era a valorização da terra, sem foco na produção.

A impossibilidade de expansão refletiu na intensificação da produção na mesma área. Esse movimento é recente, mas deve continuar por muito tempo. De acordo com uma pesquisa da Scot Consultoria (2011), cerca de 30% dos produtores ainda não utilizam sal branco, o que pode ser interpretado como 30% do nosso rebanho sequer entra na atividade profissional de bovinocultura, ficando apenas na esfera extrativista. O caminho, portanto, é longo.

O maior uso de tecnologia deve acontecer de diversas formas. A necessidade de aumentar a produção na mesma área, aliada ao maior acesso a novas tecnologias, é um ponto chave. O uso de inseminação artificial cresce todos os anos e praticamente dobrou desde 2008, mas ainda é utilizado em pouco mais de 10% do rebanho. A utilização de confinamento com estratégia de terminação, que também praticamente dobrou desde 2000, representa menos de 15% do abate.

Estes são apenas alguns exemplos, uma vez que nossos índices de produtividade são baixos e todas as práticas estão sendo cada vez mais utilizadas. Sob outra perspectiva, se nossos índices são baixos, não é necessário investir muito para começar a colher os frutos.

Com uma taxa média de lotação de 1 UA/ha, apenas a melhora no uso de cercas já traz ganhos, portanto quando incluímos a suplementação do rebanho, adubação de pastagens, estratégias de engorda na seca, melhoramento genético e, o que muitas vezes é deixado de lado, o planejamento financeiro, conseguimos melhorar o desempenho da propriedade rapidamente.

Perfil de investimento

Sem dúvida isso implica em aumento nos investimentos, necessidade de capital e de linhas de crédito. Neste ponto vale uma reflexão: a pecuária tem perfil conservador de investimento, com menor retorno sobre o capital e prazos mais longos para payback (tempo para pagar o investimento) como causa ou consequência da cultura do pecuarista em utilizar apenas capital próprio?

Não tenho resposta para essa pergunta e sei que quando se trata de linhas de crédito do governo, tem muito marketing e pouca ação. Entretanto, quando olhamos para a agricultura, que faz uso do capital de terceiros, seja bancos, tradings, governo, etc., observamos uma evolução da produção, da produtividade e dos produtores em ritmo diferente da pecuária.

O uso do capital de terceiros permite aumentar os investimentos na propriedade e acelerar o processo de tecnificação, mas também nos obriga a sermos mais rigorosos em todos os controles, tanto produtivos quanto financeiros. Existe um conceito interessante advindo dessa situação: um ano ruim quebra um agricultor, mas não quebra um pecuarista.

Enquanto o excesso de conservadorismo pode ser visto como necessário para ter crescimento sustentável no longo prazo, ao mesmo tempo pode sinalizar que estamos deixando passar oportunidades de crescimento.

Cenário de médio prazo

O Brasil, atualmente, exporta entre 20 e 25% de sua produção, portanto a formação de preço do boi gordo ocorre principalmente no mercado interno. Quando cruzamos essa informação com o cenário da economia brasileira para 2015 fica difícil ser otimista.

No mercado externo, entretanto, temos um cenário mais favorável. Alguns dos principais compradores de carne do Brasil, como Rússia, Venezuela e Irã, seguem com dificuldades, reflexo de problemas políticos, sanções comerciais e da queda nos preços do petróleo. Enquanto outras economias emergentes têm apresentado crescimento acima da nossa economia, tanto na América do Sul, quanto no Norte da África, Oriente Médio e Ásia.

Aumentar a produção de carne bovina no Brasil, portanto, é imprescindível para romper essa barreira de 25% da participação das exportações na matriz de produção de carne bovina.

O cenário mundial é de desabastecimento, com os Estados Unidos com o menor rebanho das últimas décadas, Austrália tendo liquidado parte do rebanho nos últimos anos – ambos por problemas climáticos –, Europa com produção cada vez menor e sem a possibilidade de aumentar os subsídios à produção, enquanto outros países tentam investir no setor e encontram resistências naturais, como é o caso de Rússia e China.

Sem dúvida a Índia é um player a ser considerado, mas trata-se de uma cadeia produtiva extremamente desestruturada, com barreiras cada vez maiores conforme os países compradores exijam os mesmos protocolos sanitários exigidos aos outros exportadores.

Por outro lado, a Índia ainda deve passar por um forte movimento de urbanização e ocidentalização, que devem interferir nos padrões de consumo de alimentos, além de possuir uma enorme parcela da população dependente de alimentos de baixa qualidade. A questão religiosa é um ponto a ser considerado, mas vale apenas à população hindu.

O cenário para 2015 é desafiador. A economia brasileira segue com prognóstico pessimista, com as constantes revisões para baixo do PIB e projeção de baixo crescimento para o próximo ano. O setor de produção animal, entretanto, deverá ter mais um ano positivo e com espaço para otimismo, com disponibilidade de terra, de tecnologias e compradores dispostos a remunerar a produção, neste cenário de maior dependência mundial ao que o Brasil sabe fazer melhor: produzir alimentos.

FAO

Artigo publicado na Revista BeefWorld.

Leonardo Alencar