2015: é momento de investir!

A pecuária de corte é uma atividade de extrema importância para o Brasil, tanto do ponto de vista de sua participação no PIB Agropecuário, quanto pela importância das proteínas animais na alimentação humana. Atualmente, a carne de frango segue como mais consumida, mas a carne bovina permanece como preferência nacional.

Dessa forma, a carne bovina tem peso significativo nos gastos da população, inclusive com influência na inflação geral de preços. Essa participação se reduziu ao longo das últimas décadas, conforme o aumento no poder de renda foi superior à variação dos preços dos alimentos, em grande parte por ganhos de produtividade do setor agrícola.

Apesar dessa melhora, os índices zootécnicos e de produtividade da bovinocultura brasileira permanecem baixos e com uma amplitude enorme, afinal temos o maior rebanho comercial do mundo, espalhado pela 5ª maior extensão territorial, com diferenças climáticas, de sistemas produtivos, de cultura, da raça dos animais, etc.

Condições como essas poderiam sinalizar um ambiente de investimentos desfavorável, mas estamos entrando em um novo ciclo das commodities agrícolas, apenas desta vez restrita às proteínas animais.

Ciclo das commodities

De acordo com o índice de preços da FAO (Órgão das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), considerando os anos de 2002 a 2004 como base, nós vivenciamos uma alta extraordinária dos preços dos alimentos em 2010 que, mesmo após a acomodação, permanece muito acima da base.

Entretanto, quando analisamos a variação nos preços por grupo, observa-se que o grupo de carnes (Meat) foi o último a entrar neste movimento de alta. Numa série mais longa, disponível no site da FAO, fica evidente que até 2006, aproximadamente, todos os grupos caminhavam juntos, com alguns repiques de preços pontuais, mas a partir de 2006 ficamos para trás.

Ao final de 2014, todos os grupos inverteram suas tendências e iniciaram uma fase de baixa, inclusive o grupo carnes, mas, ao contrário do observado para os outros grupos, este movimento deve ser extremamente positivo, uma vez que enquanto a maioria das produções são de ciclo anual, inclusive de carne de frango e suína, entre outras, a produção de carne bovina tem um ciclo mais longo, na média entre 2 e 4 anos.

Com os preços em queda das culturas agrícolas, produtores voltam a olhar para a pecuária como oportunidade de investimento. Após anos de preços altos para milho e soja, por exemplo, a perspectiva para 2015 é de rentabilidade baixa e desinvestimento para os produtores de grãos.

Melhora na rentabilidade

Na pecuária de corte, por outro lado, as margens estão favoráveis para cria, recria-engorda e ciclo completo, fato atípico. A retenção de fêmeas, que levará ao aumento no rebanho nos próximos anos, está apenas no início e deve refletir na oferta de animais para abate nos próximos anos.

É interessante observar que a pressão ambiental impediu a pecuária de expandir horizontalmente nos últimos anos, enquanto a agricultura forçou sua retração. A pecuária, portanto, vem deixando de ser uma atividade de fronteira agrícola e também de ser uma atividade imobiliária, cuja função era a valorização da terra, sem foco na produção.

A impossibilidade de expansão refletiu na intensificação da produção na mesma área. Esse movimento é recente, mas deve continuar por muito tempo. De acordo com uma pesquisa da Scot Consultoria (2011), cerca de 30% dos produtores ainda não utilizam sal branco, o que pode ser interpretado como 30% do nosso rebanho sequer entra na atividade profissional de bovinocultura, ficando apenas na esfera extrativista. O caminho, portanto, é longo.

O maior uso de tecnologia deve acontecer de diversas formas. A necessidade de aumentar a produção na mesma área, aliada ao maior acesso a novas tecnologias, é um ponto chave. O uso de inseminação artificial cresce todos os anos e praticamente dobrou desde 2008, mas ainda é utilizado em pouco mais de 10% do rebanho. A utilização de confinamento com estratégia de terminação, que também praticamente dobrou desde 2000, representa menos de 15% do abate.

Estes são apenas alguns exemplos, uma vez que nossos índices de produtividade são baixos e todas as práticas estão sendo cada vez mais utilizadas. Sob outra perspectiva, se nossos índices são baixos, não é necessário investir muito para começar a colher os frutos.

Com uma taxa média de lotação de 1 UA/ha, apenas a melhora no uso de cercas já traz ganhos, portanto quando incluímos a suplementação do rebanho, adubação de pastagens, estratégias de engorda na seca, melhoramento genético e, o que muitas vezes é deixado de lado, o planejamento financeiro, conseguimos melhorar o desempenho da propriedade rapidamente.

Perfil de investimento

Sem dúvida isso implica em aumento nos investimentos, necessidade de capital e de linhas de crédito. Neste ponto vale uma reflexão: a pecuária tem perfil conservador de investimento, com menor retorno sobre o capital e prazos mais longos para payback (tempo para pagar o investimento) como causa ou consequência da cultura do pecuarista em utilizar apenas capital próprio?

Não tenho resposta para essa pergunta e sei que quando se trata de linhas de crédito do governo, tem muito marketing e pouca ação. Entretanto, quando olhamos para a agricultura, que faz uso do capital de terceiros, seja bancos, tradings, governo, etc., observamos uma evolução da produção, da produtividade e dos produtores em ritmo diferente da pecuária.

O uso do capital de terceiros permite aumentar os investimentos na propriedade e acelerar o processo de tecnificação, mas também nos obriga a sermos mais rigorosos em todos os controles, tanto produtivos quanto financeiros. Existe um conceito interessante advindo dessa situação: um ano ruim quebra um agricultor, mas não quebra um pecuarista.

Enquanto o excesso de conservadorismo pode ser visto como necessário para ter crescimento sustentável no longo prazo, ao mesmo tempo pode sinalizar que estamos deixando passar oportunidades de crescimento.

Cenário de médio prazo

O Brasil, atualmente, exporta entre 20 e 25% de sua produção, portanto a formação de preço do boi gordo ocorre principalmente no mercado interno. Quando cruzamos essa informação com o cenário da economia brasileira para 2015 fica difícil ser otimista.

No mercado externo, entretanto, temos um cenário mais favorável. Alguns dos principais compradores de carne do Brasil, como Rússia, Venezuela e Irã, seguem com dificuldades, reflexo de problemas políticos, sanções comerciais e da queda nos preços do petróleo. Enquanto outras economias emergentes têm apresentado crescimento acima da nossa economia, tanto na América do Sul, quanto no Norte da África, Oriente Médio e Ásia.

Aumentar a produção de carne bovina no Brasil, portanto, é imprescindível para romper essa barreira de 25% da participação das exportações na matriz de produção de carne bovina.

O cenário mundial é de desabastecimento, com os Estados Unidos com o menor rebanho das últimas décadas, Austrália tendo liquidado parte do rebanho nos últimos anos – ambos por problemas climáticos –, Europa com produção cada vez menor e sem a possibilidade de aumentar os subsídios à produção, enquanto outros países tentam investir no setor e encontram resistências naturais, como é o caso de Rússia e China.

Sem dúvida a Índia é um player a ser considerado, mas trata-se de uma cadeia produtiva extremamente desestruturada, com barreiras cada vez maiores conforme os países compradores exijam os mesmos protocolos sanitários exigidos aos outros exportadores.

Por outro lado, a Índia ainda deve passar por um forte movimento de urbanização e ocidentalização, que devem interferir nos padrões de consumo de alimentos, além de possuir uma enorme parcela da população dependente de alimentos de baixa qualidade. A questão religiosa é um ponto a ser considerado, mas vale apenas à população hindu.

O cenário para 2015 é desafiador. A economia brasileira segue com prognóstico pessimista, com as constantes revisões para baixo do PIB e projeção de baixo crescimento para o próximo ano. O setor de produção animal, entretanto, deverá ter mais um ano positivo e com espaço para otimismo, com disponibilidade de terra, de tecnologias e compradores dispostos a remunerar a produção, neste cenário de maior dependência mundial ao que o Brasil sabe fazer melhor: produzir alimentos.

FAO

Artigo publicado na Revista BeefWorld.

Sobre escrever…

Introdução ao livro Sombras da Noite (Night Shift), de Stephen King, escrita por um de seus maiores ídolos, John D. MacDonald, discutindo sobre o “simples” ato de escrever.

“Nas festas (às quais evito comparecer sempre que possível), muitas vezes recebo sorridentes apertos de mão de gente que, com um ar alegre de cumplicidade, me diz: “Sabe, eu sempre quis escrever.”

Eu costumava tentar sem simpático.

Hoje em dia, respondo com a mesma animação exultante: “Sabe, eu sempre quis ser neurocirurgião.”

As pessoas ficam sem jeito. Não importa. Há um bocado de gente sem jeito por aí ultimamente.

Se você quiser escrever, escreva.

A única maneira de aprender a escrever é escrevendo. E esta não seria uma forma muito útil de se aprender neurocirurgia.

Stephen King sempre quis escrever, e escreve.

Assim, escreveu Carrie, a Estranha e A Hora do VampiroO Iluminado, e os bons contos que você pode ler neste livro, e um número estupendo de outras histórias e livros e fragmentos e poemas e ensaios e outros escritos inclassificáveis, a maioria destes ruins demais para virem a ser publicados.

Porque é assim que se faz.

Porque não há outro jeito. Nenhum outro jeito.

A dedicação compulsiva quase chega a ser suficiente. Quase. Você precisa ter gosto pelas palavras. Ser glutão. Precisa querer nadar nelas. Precisa ler milhares de palavras escritas por outras pessoas.

Você lê tudo com uma inveja que te consome, ou com um tedioso desprezo.

E a maior parte desse desprezo vai para as pessoas que disfarçam a falta de talento com palavras difíceis, estruturas de frases dignas do alemão, símbolos que saltam aos olhos e nenhum senso de narrativa, ritmo ou construção de personagem.

Então você tem de começar a se conhecer tão bem que comece a conhecer outras pessoas. Um pedaço de nós está em cada pessoa que venhamos a encontrar.

Muito bem, então. Uma extraordinária dedicação, mais o amor pelas palavras, mais a empatia, e deste conjunto pode advir, com muito esforço, alguma objetividade.

Nunca objetividade total.

Neste momento frágil do tempo, estou datilografando estas palavras em minha triste máquina, na sétima linha da segunda página desta introdução, sabendo com exatidão qual o tom e o significado que procuro, mas sem qualquer certeza de que os esteja alcançando.

Como estou nesse negócio pelo dobro do tempo de Stephen King, sou um pouco mais objetivo diante do meu próprio trabalho do que ele diante do seu.

A objetividade é conquistada tão dolorosa e lentamente.

Você liberta os livros no mundo e é muito difícil arrancá-los do espírito. São filhos problemáticos, tentando seguir suas vidas apesar das deficiências impostas por você. O que eu não daria para tê-los todos outra vez em casa e dar uma última e boa palmada em cada um deles. Página por página. Cavando e limpando, escovando e polindo. Arrumando.

Stephen King é um escritor muito, muito melhor aos 30 anos do que eu era aos 30 ou aos 40.

Tenho o direito de odiá-lo um pouquinho por causa disso.

E acho que conheço uma dúzia dos demônios escondidos nos arbustos aonde seu caminho leva, e mesmo que tivesse uma forma de adverti-lo, não adiantaria. Ou ele bate neles ou apanha.

É simples assim.

Está me acompanhando, até aqui?

Dedicação, o tesão pelas palavras e empatia resultam em objetividade crescente, e em seguida vem o quê?

A história. A história. Diabos, a história!

A história é algo que acontece a uma pessoa por quem você passou a se importar. Pode acontecer em qualquer dimensão – física, mental, espiritual – e em combinações dessas dimensões.

Sem a intromissão do autor.

A intromissão do autor é: “Meu Deus, mamãe, veja só como eu estou escrevendo bem!”

Um outro tipo de intromissão é uma coisa grotesca. Eis uma das minhas preferidas, retirada de um dos grandes best-sellers do ano passado: “Seus olhos escorregaram pela frente do vestido dela.”

A intromissão do autor é uma frase tão idiota que o leitor subitamente se dá conta de que está lendo, e sai da história. É levado, pelo choque, para fora da história.

Uma outra intromissão do autor é a pequena aula embutida na história. Este é um dos meus mais graves defeitos.

Uma imagem pode ser criada de forma elegante e inesperada, e não quebrar o encantamento. Num conto deste livro, chamado “Caminhões”, Stephen King escreve sobre uma cena tensa de espera numa parada de caminhões, descrevendo as pessoas: “Era um vendedor e mantinha sua maleta de amostras junto de si, como um cachorrinho de estimação que tivesse adormecido.”

Acho isso elegante.

Em outro conto, ele demonstra seu bom ouvido, o tom de exatidão e veracidade que é capaz de dar ao diálogo. Um homem e sua mulher saíram numa longa viagem. Estão passando por uma estrada secundária. Ela diz: “Sim, Burt. Eu sei que estamos em Nebraska, Burt. Mas onde diabos nós estamos?” Ele diz: “Você está com o guia de estradas. Procure nele. Ou será que não sabe ler?”

Ótimo. Parece tão simples. Exatamente como neurocirurgia. A faca tem um gume. Você segura deste jeito. E corta.

Agora, correndo o risco de ser um iconoclasta, direi que não dou a mínima para a área que Stephen King escolhe para escrever. O fato de ele atualmente gostar de escrever sobre fantasmas e feitiços e coisas deslizando no porão é para mim o que há de menos importante e menos útil sobre ele que alguém possa me contar.

Há um bocado de coisas deslizando aqui, e há uma máquina de passar roupa enlouquecida que me assombra, como fará com você, e há crianças convincentemente malvadas em número bastante para encher a Disney World em qualquer domingo de fevereiro, mas o principal é a história.

Você acaba se importando com ela.

Note bem. Duas das áreas mais difíceis nas quais escrever são o humor e o oculto. Em mãos inábeis, o humor se torna um lamento fúnebre e o oculto se torna engraçado.

Mas, uma vez sabendo como, você pode escrever em qualquer área.

Stephen King não vai se restringir ao presente campo de interesse.

Uma das mais vibrantes e comoventes histórias deste livro é: “O último degrau da escada”. Uma pérola. Nenhum farfalhar ou sussurrar do outro mundo ali.

Uma última palavra.

Ele não escreve para te agradar. Escreve para agradar a si mesmo. Eu escrevo para agradar a mim mesmo. Quando isso acontece, você também vai gostar da obra. Estes contos agradaram a Stephen King e agradaram a mim.

Por uma estranha coincidência, no dia em que escrevo isto, o romance O Iluminado, de Stephen King, e meu romance Condomínio de Luxo estão ambos na lista de best-sellers. Não estamos competindo um com o outro pela sua atenção. Estamos competindo, eu acho, com os livros ineptos e pretensiosos e sensacionais publicados por nomes conhecidos que nunca se preocuparam em aprender seu ofício.

No que diz respeito à história, e ao prazer, não há Stephen Kings suficientes por aí.

Se você leu tudo o que acabo de escrever, imagino que tenha bastante tempo. Poderia estar lendo os contos.”

John D. MacDonald

Oficinas literárias

Falta de tempo, excesso de informação, incapacidade de absorver textos mais longos, falta de criatividade, de cultura, de educação, etc., são algumas das críticas feitas à geração atual.

Por outro lado, a produção de livros segue uma tendência crescente (http://goo.gl/H4Mz8x) e o número de novos autores também, fato que contradiz essas reclamações. Sem dúvida a dificuldade de encontrar bons livros aumentou na mesma escala, mas esse pode ser um ponto de discussão.

Em meio a todo esse barulho, inúmeras oficinas literárias estão se espalhando pelo país e trazem boas oportunidades para quem quer aprender um novo ofício ou apenas desenvolver um hobby.

Abaixo um apanhado feito pela jornalista Maria Fernanda Rodrigues, de O Estado de S. Paulo: http://goo.gl/pfSeLh

SÃO PAULO

Desbloqueando a Expressão Pessoal
Com João Silvério Trevisan
De 8/3 a 21/6 (sábado, das 10h às 13h) ou de 10/3 a 16/6 (2.ª, das 19h30 às 22h30), 45 horas (15 encontros)
Av. São Luis, 43
R$ 1 mil
Informações: 3258-5619

Ateliê Permanente de Criação Literária – Contos e crônicas
Com Luiz Bras
De 17/3 a 27/5 (2.ª, das 15h às 18h, ou das 18h30 às 21h30)
Casa Mario de Andrade (Rua Lopes Chaves, 546)
Grátis
Informações: 3666-5803

Oficina de Escrita Criativa
Com Veronica Stigger, Bruno Zeni, Evandro Affonso Ferreira e Fabio Weintrau
De 24/3 a 2/7 (segundas e quartas, das 19h30 às 22h30), 84 horas (24 encontros)
Academia Internacional de Cinema (R. Dr. Gabriel dos Santos, 142)
R$ 2.330
Informações: 3660-7883

Oficina de Escrita Criativa
Com Noemi Jaffe
De 26/3 a 2/7 (quarta, das 20h às 22h), das 30 horas (15 encontros)
Casa do Saber (Rua Dr. Mario Ferraz, 414)
R$ 2.175
Informações: 3707-8900

Oficina de Escrita Criativa: Avançado
Com Noemi Jaffe
De 26/3 a 2/7 (quarta, das 17h às 19h), 30 horas (15 encontros)
Casa do Saber (Rua Dr. Mario Ferraz, 414)
R$ 2.175
Informações: 3707-8900
Escrita Criativa e Redação
Com Leandro Beguoci
De 16/5 a 13/6 (sexta, das 9h às 12h), 15 aulas (5 encontros
Escola São Paulo (Rua Augusta, 2.239)
R$ 930
Informações: 3060-3636

Oficinas temáticas

Jornalismo Literário
Com Ivan Marsiglia
De 17/3 a 9/6 (segunda, das 10h às 13h), 45 horas (12 encontros)
Oficina de Escrita Criativa (Av. Pedroso de Moraes, 377)
R$ 1.800
Informações: 3255-2003

Literatura Infantil
Com Carlos Fragata
De 15/3 a 7/6 (sábado, das 10 h às 13 h), 30 horas (10 encontros)
Oficina de Escrita Criativa (Av. Pedroso de Moraes, 377)
R$ 1.800
Informações: 3255-2003

Minicurso: O Processo de Criação de uma Biografia
Com Paulo César Araújo
De 25 a 27/3 (das 18h30 às 21h30)
Casa Mário de Andrade (Rua Lopes Chaves, 546)
Grátis
Informações: 3666-5803

A Ciência e a Arte da Biografia
Com Ruy Castro
Dias 31/3 e 1, 7 e 8/4 (segunda e terça, das 20h às 22h)
B_arco (R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, n°426)
2 parcelas de R$ 300 ou R$ 500 à vista
Informações: 3081-6986

Clínica de Língua Portuguesa
Com Bia Mendes
De 27/3 a 5/6 (quinta, das 19h30 às 21h30)
Oficina de Escrita Criativa (Av. Pedroso de Moraes, 377)
R$ 1.200
Informações: 3255-2003

RIO DE JANEIRO

Oficina do Romance
Com Carola Saavedra
De 10/3 a 2/06 (segunda, das 18h45 às 20h45), 24 horas
Estação das Letras (R. Marquês de Abrantes, 177)
R$ 1.080
Informações: (21) 3237-3947

Oficina de Poesia Avançada
Com Carlito Azevedo
De 26/3 a 18/6 (quarta, das 18h45 às 20h45), 24 horas
Estação das Letras (R. Marquês de Abrantes, 177)
R$ 930
Informações: (21) 3237-3947

Oficina de Crônica
Com Felipe Pena
De 31/0 a 28/4 (segunda, das 18h45 às 20h45), 8 horas
Estação das Letras (R. Marquês de Abrantes, 177)
R$ 300
Informações: (21) 3237-3947

Poéticas da Ficção
Com Gonçalo M. Tavares
Dia 26/04 (sábado, das 14h30 às 20h), 5h
R$ 550
Informações: (21) 3237-3947

Prepare-se para 2015

Clipe – Curso Livre de Preparação do Escritor
Em 2013, foram 488 inscrições para 30 vagas. O curso é gratuito, realizado na Casa das Rosas e tem duração de um ano, com 12 horas mensais (dois encontros semanais). As inscrições são feitas em janeiro.

Pós-gradução Formação de Escritores
Instituto de Educaçã Superior Vera Cruz
São 40 vagas por ano e o curso segue dois eixos à escolha do aluno: ficção ou não ficção. No corpo docente, nomes como Márcia Fortunato, Roberto Taddei, Bruno Zeni, Fabrício Corsaletti, Josélia Aguiar, Juliano Garcia Pessanha, Marcelino Freire, Noemi Jaffe, entre outros. A mensalidade em 2014 custa R$ 656 e a duração do curso é de quatro semestres.
Informações: 3838.5992

Oficina de Criação Literária de Luiz Antonio de Assis Brasil
São apenas 12 vagas, com processo seletivo aberto em dezembro. As aulas são realizadas entre março e novembro em Porto Alegre
Informações: (51) 3320-3676

Oficina de Ficção
As aulas semanais são dadas pela jornalista Rosangela Petta. Uma vez por mês, Luiz Antonio de Assis Brasil vem a São Paulo para uma aulas magnas. São 30 vagas (duas turmas de 15 alunos). A carga horária é de 90 horas e as aulas vão de março a novembro. Em 2014, o valor do curso foi R$ 5.940.
Informações: 3255-2003

Mortal

Véspera de feriado, rodovia cheia, chuva, trânsito lento. Todos os veículos, inclusive o nosso, moviam-se vagarosamente, como se o prazer da viagem não estivesse no destino, mas no percurso.

A viagem já durava tempo suficiente para as músicas, brincadeiras e jogos terem se esgotado e todos estavam em silêncio. Olhei de relance para o banco traseiro e vi que nossa filha dormia, enquanto o bebê parecia encantado com as gotas de chuva na janela.

Chovia pouco neste momento, mas pela lentidão do trânsito alguém provavelmente se acidentara. Se não fosse essa a causa da lentidão, pior, era apenas o excesso de veículos. Ri pela maldade despercebida e acho que até corei.

Conforme o carro avançava, começamos a ver as luzes amarelas indicando o local do acidente. Notei que Julio, meu marido, ao invés de ir para as faixas do canto à direita, longe do acidente, parecia querer chegar mais e mais perto. Afastei esse pensamento apesar do desconforto.

Realmente a batida foi grande, mas eu só conseguia avistar um carro na grama entre as pistas. Automaticamente já procurava pelo outro carro envolvido, quando notei um corpo estendido, logo ao lado da estrada, apenas parcialmente coberto. Demorei mais do que gostaria para virar o rosto e fiquei com a imagem na cabeça por dias.

Nosso carro passou a poucos metros do corpo e Julio parecia encantado com a cena, olhos vidrados, aparentemente sem qualquer sinal de pena, ou mesmo repulsa. Cheguei a reclamar porque o bebê também olhava pela janela, ainda que fosse impossível ver algo, mas ele não parecia me ouvir.

Seguimos viagem como se nada tivesse ocorrido e chegamos à praia de madrugada. Todos estavam exaustos e fomos dormir. Ao deitar, perguntei ao Julio o que teria chamado a atenção dele, qual o motivo de tanta curiosidade, mas ouvi apenas um grunhido antes dele apagar as luzes.

O final de semana passou voando, como era normal em momentos felizes. Vez ou outra me pegava pensando no rapaz caído na estrada, no sangue, nas formas irreconhecíveis, mas me forçava a pensar em algo mais alegre. Demorou alguns dias, mas surtiu efeito.

Alguns meses depois, enquanto caminhava em direção ao escritório após o almoço, avistei um sebo e não resisti à tentação de entrar. O cheiro de poeira, abafado, era até atrativo, mas tive que me esforçar para percorrer o interior da loja sem tossir ou ter uma crise de espirro.

Andava por entre as estantes, com os braços esticados e as mãos alisando as diversas capas de livros, revistas e enciclopédias. Logo um volume chamou minha atenção. A capa não estava certa, tinha uma textura estranha, grosseira, era inteiramente preta e com título em vermelho sangue.

Não lembro o título, mas a história girava em torno de uma tragédia familiar, onde o epicentro era o filho mais velho, postumamente diagnosticado como psicopata. Comprei e comecei a ler imediatamente, num impulso injustificado. Continuei minha caminhada até o escritório com o livro nas mãos, lendo aos poucos enquanto desviava de outros pedestres.

No trabalho, cheguei ao absurdo de ir ao banheiro do escritório para continuar a ler a história, que ao mesmo tempo me prendia e enojava.

O garoto do livro era inteligente, introspectivo, recluso, mas nunca deu sinais de sua intenção ou de sua frieza. Alguns fatos isolados, como animais mortos encontrados em terrenos próximos à casa dos pais, poderiam ter levantado algum tipo de suspeita, mas ninguém fez essa conexão.

Acho que li o livro inteiro em dois ou três dias, mas só atentei à razão de minha curiosidade no final. Ao fechar o livro a imagem do rapaz morto na beira da estrada, naquele feriado prolongado, voltou lívida à mente, com mais detalhes do que lembrava.

Não entendia o porquê dessa conexão. Permaneci sentada no sofá da sala com o livro nas mãos por um tempo razoável, ponderando a história. Estava tão alheia ao mundo que não vi o Julio entrar em casa. Levei um susto!

Na hora em que o vi, o que apenas o subconsciente havia entendido, agora o consciente processava. Inúmeros pensamentos surgiram quase que simultaneamente… minha sogra comentando como o Julio era quieto quando criança, que passava os dias lendo, saía para expedições mas nunca dizia onde ou com quem estava.

Uma vez me confidenciou que, numa tentativa falha de conquistar a atenção do filho, comprou um cachorrinho, um vira-lata. O sorriso do filho desapareceu em poucos dias, sem qualquer razão aparente, e o cachorrinho passou a evitá-lo.

Não lembrava do desfecho da história ou do destino do animalzinho, mas senti um calafrio por todo o corpo. A completa proibição de termos cachorro ou qualquer outro animal de estimação em casa, apesar das inúmeras crises de nossa filha, passou a fazer menos sentido ainda.

Novamente o acidente me veio à mente e lembrei do interesse de Julio em olhar o corpo do pobre rapaz caído na estrada. Qual ser doentio ficaria feliz com a desgraça alheia?

Em meio às lembranças senti medo, pavor, um princípio de pânico. Por um segundo senti que minhas forças sumiram e acho que desmaiei. Ao acordar, Julio estava me abanando e jogando água no meu rosto. Só parou quando meu olhar fixo o deixou desconfortável.

Após me recuperar, tomei a decisão de enfrentá-lo. O desmaio interrompeu minha linha de raciocínio e deu mais clareza às ideias. Sabia que coincidências existiam e, apesar de alguns detalhes estranhos, eu poderia acabar com um relacionamento de anos sem motivo.

Mesmo em nossas piores brigas nunca trocamos agressões, físicas ou verbais. A discussão se limitava à opinião contrária que cada um protegia firmemente. Pensar que meu marido fosse capaz de qualquer maldade, por um momento, foi até cômico, mas não consegui me acalmar inteiramente.

Sem ver outra saída, procurei o Julio pela casa, que neste momento estava sentado na varanda fumando um cigarro. Normalmente desistiria, pelo simples asco que tinha daquele cheiro, mas não hoje. Respirei fundo e com toda a calma que consegui encontrar falei:

“Qual é o seu problema!?!?”

“Oi…?”

“Você acha que eu nunca percebi que por trás dessa sua apatia você nutria pensamentos imundos? Que seu constante interesse por notícias de mortes, atentados e outros crimes era exagerado? Aquele excesso de filmes violentos…”

“Amor, não estou te entendendo…”

“Você sabe do que eu estou falando! Sua mãe me avisou que você era uma criança estranha, sem interesses, reclusa, mas eu não dei ouvidos. Onde eu estava com a cabeça!?”

“Hey… Eu era uma criança normal! Tímida, mas normal.”

“E sua aversão a cachorros, gatos e outros animais de estimação!?”

“Não é aversão… me incomoda a total dependência deles, como se fossem parasitas sociais… ou até o amor incondicional.”

“Talvez porque no fundo você sabe que não merece!”

“Amor, o que foi que eu fiz? Você sempre me achou normal, as vezes até demais.”

“Mas eu mudei de opinião!”

“Como assim?”

“Por que você sempre reduz a velocidade do carro próximo a acidentes, quase não disfarçando a excitação de ver alguém morto??”

“Não entendi!”

“Não se faça de desentendido. Então por que você fez questão de passar do lado do corpo daquele pobre menino na estrada, no final de semana que fomos para a praia?”

“Ah amor… você não entenderia, mas não é nada do que você está pensando!”

“Eu sabia!! Eu sabia que você era estranho!”

“Eu posso explicar… mas tem que prometer que vai me ouvir até o final. Ok?”

“Não prometo nada! Nem sei por quê ainda estou aqui. Deveria chamar a polícia…”

“Polícia!? Agora você me deixou confuso! Eu não fiz nada! Nunca!”

“Não fez nada mas sente vontade, tenho certeza!”

“Vontade do quê? Se tenho vontade de algo é de viver!”

“Ahn…?”

“É isso mesmo! Não gosto de ver pessoas mortas mais do que você ou qualquer outra pessoa normal. Pelo contrário! Morro de medo de esquiar, de andar de avião, de asa-delta, de mar aberto, de chuva forte, de baratas, de enchente, de carros, de assalto… No fundo sou um medroso, um pobre coitado que teme a própria sombra.”

“Agora sou eu quem estou confusa…”

“Eu não fico excitado frente a acidentes. Não gosto de ver corpos jogados ao lado da estrada, muito menos ensanguentados. Mas…”

“Mas o que?”

“Você não entenderia…”

“Julio, fale de uma vez!”

“Morro de medo de morrer! Morro de medo de essa vida acabar e não ter continuidade. Não me importo com céu, inferno ou mesmo com o juízo final, mas não suporto imaginar o vazio se nada existir. Um vazio amorfo, frio, infinito! A solidão eterna…”

“E o que isso tem a ver com tudo? O que tem a ver com o acidente?”

“Nessas horas sinto que adiei o fim um pouco mais. Sinto que a morte veio e levou outra pessoa, que está ocupada e deve demorar a voltar. Que ganhei mais alguns minutos, horas, dias, não sei. Apenas sei que não morri, que estou vivo.

Sinto que a vida é efêmera, porém valiosa. Que não posso viver com medo, ou simplesmente não viverei. Sei da contradição, mas não consigo evitar. Passo o dia assustado, sem saber se serei o próximo, mas ao ver que continuo aqui me sinto vivo. Mais vivo!”

“Acho que entendo perfeitamente a contradição.”

“Entende?”

“Claro! Uma pessoa tão racional, centrada, mas com tantos parafusos a menos. Sem dúvida uma contradição”

“Ah…”

“Deixa isso para lá e vamos dormir.”

How to Profit From Chaos

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“The key message is you need volatility, you need stressors in the system, and you need companies and you need markets who can survive those stressors and thrive by them. Exactly. We need to encourage people to take certain classes of risk. we need more small fluctuation and fewer big crises. In fact we have the exact opposite. Things are smooth but with big — very quickly.”

Antifragile: Things That Gain from Disorder

Risco x Incerteza

Risco, como descrito pela primeira vez pelo economista Frank H. Knight em 1921, é algo em que vc pode colocar um preço. 

as first articulated by the economist Frank H. Knight in 1921, is something that you can put a price on. Say that you’ll win a poker hand unless your opponent draws to an inside straight: the chances of that happening are exactly 1 chance in 11. This is risk. It is not pleasant when you take a “bad beat” in poker, but at least you know the odds of it and can account for it ahead of time. In the long run, you’ll make a profit from your opponents making desperate draws with insufficient odds.

Uncertainty, on the other hand, is risk that is hard to measure. You might have some vague awareness of the demons lurking out there. You might even be acutely concerned about them. But you have no real idea how many of them there are or when they might strike. Your back-of-the-envelope estimate might be off by a factor of 100 or by a factor of 1,000; there is no good way to know. This is uncertainty. Risk greases the wheels of a free-market economy; uncertainty grinds them to a halt.

Livro: The Signal and the Noise

Mercado futuro da carne bovina

Não, a BM&F não lançou um contrato para negociação de carne bovina no mercado futuro, mas é possível desenhar qual seria a trajetória para a carne utilizando o contrato do boi gordo. Veja abaixo a curva do boi na BM&F hoje.

Sem aprofundar demais na metodologia, boi gordo e carne bovina são ativos com sazonalidades diferentes, portanto a relação de ambos muda no tempo, o que pode ser analisado pelo spread ao longo do ano. Entretanto, se aplicarmos um ajuste sazonal na curva, temos uma aproximação do que poderia ser a curva futura da carne bovina.

Essa análise é possível porque a correlação entre o boi gordo e a carne bovina com osso no longo prazo é muito alta (0,99), indicando que o erro é baixo. Pelo mesmo motivo é também possível extrapolar essa curva para o traseiro e dianteiro, ativos com sazonalidades bem distintas.

 Curva forward - Dianteiro bovino

Reparem que o traseiro bovino trabalha em baixa no 1° semestre, mas com recuperação gradual a partir de julho e fazendo pico no último trimestre, devido ao consumo aquecido perto da época de festividades e à maior demanda por cortes grill. Em contrapartida, o dianteiro bovino tem uma tendência clara de alta de fevereiro até outubro/novembro, favorecido pela maior procura por cortes mais baratos no 1° e 2° trimestre, pela demanda da indústria de processados e também pela exportação.

A visualização desses movimentos de longo prazo permite o melhor posicionamento da indústria e ajuda no planejamento estratégico. A sinalização do 1º semestre, por exemplo, é de margens mais estreitas (considerando mark-up da carne com osso), onde uma estratégia short tem mais resultado, enquanto no 2º semestre a melhor estratégia é long em carne.

Curva forward - Margem

Leonardo Alencar