2015: é momento de investir!

A pecuária de corte é uma atividade de extrema importância para o Brasil, tanto do ponto de vista de sua participação no PIB Agropecuário, quanto pela importância das proteínas animais na alimentação humana. Atualmente, a carne de frango segue como mais consumida, mas a carne bovina permanece como preferência nacional.

Dessa forma, a carne bovina tem peso significativo nos gastos da população, inclusive com influência na inflação geral de preços. Essa participação se reduziu ao longo das últimas décadas, conforme o aumento no poder de renda foi superior à variação dos preços dos alimentos, em grande parte por ganhos de produtividade do setor agrícola.

Apesar dessa melhora, os índices zootécnicos e de produtividade da bovinocultura brasileira permanecem baixos e com uma amplitude enorme, afinal temos o maior rebanho comercial do mundo, espalhado pela 5ª maior extensão territorial, com diferenças climáticas, de sistemas produtivos, de cultura, da raça dos animais, etc.

Condições como essas poderiam sinalizar um ambiente de investimentos desfavorável, mas estamos entrando em um novo ciclo das commodities agrícolas, apenas desta vez restrita às proteínas animais.

Ciclo das commodities

De acordo com o índice de preços da FAO (Órgão das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), considerando os anos de 2002 a 2004 como base, nós vivenciamos uma alta extraordinária dos preços dos alimentos em 2010 que, mesmo após a acomodação, permanece muito acima da base.

Entretanto, quando analisamos a variação nos preços por grupo, observa-se que o grupo de carnes (Meat) foi o último a entrar neste movimento de alta. Numa série mais longa, disponível no site da FAO, fica evidente que até 2006, aproximadamente, todos os grupos caminhavam juntos, com alguns repiques de preços pontuais, mas a partir de 2006 ficamos para trás.

Ao final de 2014, todos os grupos inverteram suas tendências e iniciaram uma fase de baixa, inclusive o grupo carnes, mas, ao contrário do observado para os outros grupos, este movimento deve ser extremamente positivo, uma vez que enquanto a maioria das produções são de ciclo anual, inclusive de carne de frango e suína, entre outras, a produção de carne bovina tem um ciclo mais longo, na média entre 2 e 4 anos.

Com os preços em queda das culturas agrícolas, produtores voltam a olhar para a pecuária como oportunidade de investimento. Após anos de preços altos para milho e soja, por exemplo, a perspectiva para 2015 é de rentabilidade baixa e desinvestimento para os produtores de grãos.

Melhora na rentabilidade

Na pecuária de corte, por outro lado, as margens estão favoráveis para cria, recria-engorda e ciclo completo, fato atípico. A retenção de fêmeas, que levará ao aumento no rebanho nos próximos anos, está apenas no início e deve refletir na oferta de animais para abate nos próximos anos.

É interessante observar que a pressão ambiental impediu a pecuária de expandir horizontalmente nos últimos anos, enquanto a agricultura forçou sua retração. A pecuária, portanto, vem deixando de ser uma atividade de fronteira agrícola e também de ser uma atividade imobiliária, cuja função era a valorização da terra, sem foco na produção.

A impossibilidade de expansão refletiu na intensificação da produção na mesma área. Esse movimento é recente, mas deve continuar por muito tempo. De acordo com uma pesquisa da Scot Consultoria (2011), cerca de 30% dos produtores ainda não utilizam sal branco, o que pode ser interpretado como 30% do nosso rebanho sequer entra na atividade profissional de bovinocultura, ficando apenas na esfera extrativista. O caminho, portanto, é longo.

O maior uso de tecnologia deve acontecer de diversas formas. A necessidade de aumentar a produção na mesma área, aliada ao maior acesso a novas tecnologias, é um ponto chave. O uso de inseminação artificial cresce todos os anos e praticamente dobrou desde 2008, mas ainda é utilizado em pouco mais de 10% do rebanho. A utilização de confinamento com estratégia de terminação, que também praticamente dobrou desde 2000, representa menos de 15% do abate.

Estes são apenas alguns exemplos, uma vez que nossos índices de produtividade são baixos e todas as práticas estão sendo cada vez mais utilizadas. Sob outra perspectiva, se nossos índices são baixos, não é necessário investir muito para começar a colher os frutos.

Com uma taxa média de lotação de 1 UA/ha, apenas a melhora no uso de cercas já traz ganhos, portanto quando incluímos a suplementação do rebanho, adubação de pastagens, estratégias de engorda na seca, melhoramento genético e, o que muitas vezes é deixado de lado, o planejamento financeiro, conseguimos melhorar o desempenho da propriedade rapidamente.

Perfil de investimento

Sem dúvida isso implica em aumento nos investimentos, necessidade de capital e de linhas de crédito. Neste ponto vale uma reflexão: a pecuária tem perfil conservador de investimento, com menor retorno sobre o capital e prazos mais longos para payback (tempo para pagar o investimento) como causa ou consequência da cultura do pecuarista em utilizar apenas capital próprio?

Não tenho resposta para essa pergunta e sei que quando se trata de linhas de crédito do governo, tem muito marketing e pouca ação. Entretanto, quando olhamos para a agricultura, que faz uso do capital de terceiros, seja bancos, tradings, governo, etc., observamos uma evolução da produção, da produtividade e dos produtores em ritmo diferente da pecuária.

O uso do capital de terceiros permite aumentar os investimentos na propriedade e acelerar o processo de tecnificação, mas também nos obriga a sermos mais rigorosos em todos os controles, tanto produtivos quanto financeiros. Existe um conceito interessante advindo dessa situação: um ano ruim quebra um agricultor, mas não quebra um pecuarista.

Enquanto o excesso de conservadorismo pode ser visto como necessário para ter crescimento sustentável no longo prazo, ao mesmo tempo pode sinalizar que estamos deixando passar oportunidades de crescimento.

Cenário de médio prazo

O Brasil, atualmente, exporta entre 20 e 25% de sua produção, portanto a formação de preço do boi gordo ocorre principalmente no mercado interno. Quando cruzamos essa informação com o cenário da economia brasileira para 2015 fica difícil ser otimista.

No mercado externo, entretanto, temos um cenário mais favorável. Alguns dos principais compradores de carne do Brasil, como Rússia, Venezuela e Irã, seguem com dificuldades, reflexo de problemas políticos, sanções comerciais e da queda nos preços do petróleo. Enquanto outras economias emergentes têm apresentado crescimento acima da nossa economia, tanto na América do Sul, quanto no Norte da África, Oriente Médio e Ásia.

Aumentar a produção de carne bovina no Brasil, portanto, é imprescindível para romper essa barreira de 25% da participação das exportações na matriz de produção de carne bovina.

O cenário mundial é de desabastecimento, com os Estados Unidos com o menor rebanho das últimas décadas, Austrália tendo liquidado parte do rebanho nos últimos anos – ambos por problemas climáticos –, Europa com produção cada vez menor e sem a possibilidade de aumentar os subsídios à produção, enquanto outros países tentam investir no setor e encontram resistências naturais, como é o caso de Rússia e China.

Sem dúvida a Índia é um player a ser considerado, mas trata-se de uma cadeia produtiva extremamente desestruturada, com barreiras cada vez maiores conforme os países compradores exijam os mesmos protocolos sanitários exigidos aos outros exportadores.

Por outro lado, a Índia ainda deve passar por um forte movimento de urbanização e ocidentalização, que devem interferir nos padrões de consumo de alimentos, além de possuir uma enorme parcela da população dependente de alimentos de baixa qualidade. A questão religiosa é um ponto a ser considerado, mas vale apenas à população hindu.

O cenário para 2015 é desafiador. A economia brasileira segue com prognóstico pessimista, com as constantes revisões para baixo do PIB e projeção de baixo crescimento para o próximo ano. O setor de produção animal, entretanto, deverá ter mais um ano positivo e com espaço para otimismo, com disponibilidade de terra, de tecnologias e compradores dispostos a remunerar a produção, neste cenário de maior dependência mundial ao que o Brasil sabe fazer melhor: produzir alimentos.

FAO

Artigo publicado na Revista BeefWorld.

How to Profit From Chaos

Paste a Video URL

“The key message is you need volatility, you need stressors in the system, and you need companies and you need markets who can survive those stressors and thrive by them. Exactly. We need to encourage people to take certain classes of risk. we need more small fluctuation and fewer big crises. In fact we have the exact opposite. Things are smooth but with big — very quickly.”

Antifragile: Things That Gain from Disorder

Risco x Incerteza

Risco, como descrito pela primeira vez pelo economista Frank H. Knight em 1921, é algo em que vc pode colocar um preço. 

as first articulated by the economist Frank H. Knight in 1921, is something that you can put a price on. Say that you’ll win a poker hand unless your opponent draws to an inside straight: the chances of that happening are exactly 1 chance in 11. This is risk. It is not pleasant when you take a “bad beat” in poker, but at least you know the odds of it and can account for it ahead of time. In the long run, you’ll make a profit from your opponents making desperate draws with insufficient odds.

Uncertainty, on the other hand, is risk that is hard to measure. You might have some vague awareness of the demons lurking out there. You might even be acutely concerned about them. But you have no real idea how many of them there are or when they might strike. Your back-of-the-envelope estimate might be off by a factor of 100 or by a factor of 1,000; there is no good way to know. This is uncertainty. Risk greases the wheels of a free-market economy; uncertainty grinds them to a halt.

Livro: The Signal and the Noise

Mercado futuro da carne bovina

Não, a BM&F não lançou um contrato para negociação de carne bovina no mercado futuro, mas é possível desenhar qual seria a trajetória para a carne utilizando o contrato do boi gordo. Veja abaixo a curva do boi na BM&F hoje.

Sem aprofundar demais na metodologia, boi gordo e carne bovina são ativos com sazonalidades diferentes, portanto a relação de ambos muda no tempo, o que pode ser analisado pelo spread ao longo do ano. Entretanto, se aplicarmos um ajuste sazonal na curva, temos uma aproximação do que poderia ser a curva futura da carne bovina.

Essa análise é possível porque a correlação entre o boi gordo e a carne bovina com osso no longo prazo é muito alta (0,99), indicando que o erro é baixo. Pelo mesmo motivo é também possível extrapolar essa curva para o traseiro e dianteiro, ativos com sazonalidades bem distintas.

 Curva forward - Dianteiro bovino

Reparem que o traseiro bovino trabalha em baixa no 1° semestre, mas com recuperação gradual a partir de julho e fazendo pico no último trimestre, devido ao consumo aquecido perto da época de festividades e à maior demanda por cortes grill. Em contrapartida, o dianteiro bovino tem uma tendência clara de alta de fevereiro até outubro/novembro, favorecido pela maior procura por cortes mais baratos no 1° e 2° trimestre, pela demanda da indústria de processados e também pela exportação.

A visualização desses movimentos de longo prazo permite o melhor posicionamento da indústria e ajuda no planejamento estratégico. A sinalização do 1º semestre, por exemplo, é de margens mais estreitas (considerando mark-up da carne com osso), onde uma estratégia short tem mais resultado, enquanto no 2º semestre a melhor estratégia é long em carne.

Curva forward - Margem

9 questões para 9 bilhões

Já ultrapassamos a marca de 7 bilhões de habitantes no mundo e caminhamos para os 9 bilhões em 2050. Com o aumento expressivo de bocas para alimentar, principalmente com o aumento de renda, melhor distribuição de riquezas e mudança nos padrões de consumo, o principal desafio será na produção de alimentos.

Com isso, países com boa disponibilidade de recursos naturais e com tradição na produção de alimentos, como o Brasil, serão pressionados para aumentar suas safras agrícolas.

O projeto “9 questões para 9 bilhões” pretende tratar e investigar os impactos desse crescimento populacional e as medidas que podem resolver os principais gargalos. Texto interessante do Marcos Fava Neves, publicado no Valor de hoje, analisa mais a fundo alguns desses problemas: http://goo.gl/obfsnJ.

Seguem as 9 questões:

1- O crescimento econômico e aumento de renda vão permitir uma adequada distribuição de recursos, suficientes para comprar alimentos adicionais e melhorar sua ingestão nutricional?

2- Quais serão as características demográficas de saúde e exigências nutricionais da futura população?

3- Os recursos estarão disponíveis para suprir o esperado aumento de demanda por produtos agrícolas relacionados a alimentos, rações, combustíveis, fibras, plásticos, eletricidade, entre outros?

4- As políticas dos governos irão impedir ou impulsionar a produção e produtividade agrícola?

5- Qual será o aumento de produtividade e capacidade de produção agrícola mundial que as tecnologias e inovações proporcionarão?

6- Como estão os solos, recursos hídricos, para suprir alimentos de maneira sustentável sendo social e ambientalmente responsável e economicamente viável?

7- Como os transportes e logística e as políticas internacionais serão adequados e dispostos para levar a produção ao consumo?

8- Como as mudanças climáticas, incluindo o aquecimento global e maiores variações de pluviosidade e temperaturas, vão impactar na localização dessas produções agrícolas?

9- Quais serão as informações, conhecimentos, habilidades e competências necessárias para fazer frente ao aumento da demanda mundial?

Expectation of +3-5% in Brazilian cattle slaughter this year

Brazilian cattle market is close to the end of the season, when supply is enough to put some pressure in cattle prices. Since the beginning of the year, however, there wasn’t a clear downtrend in prices for most states, especially when considering São Paulo as a market reference.

As a result of increase in investments by ranchers there were more steers and also higher supply of females for slaughter this year, so we were expecting a typical season with prices going down from January until May/June. Slaughter between January and May was, on average, 6.2% higher than 2012, which confirms the increase in cattle supply. However, this also points to industry capturing this opportunity to increase slaughter and revenue, especially considering profit is higher this year.

This trend, with industry working with less idle capacity, should continue throughout the year, but not at the same pace. We are expecting an increase of 3 to 5% in slaughter this year, benefitting of the strong domestic consumption and also from the improvement in exports: between January and May, carcass prices averaged 2.9% higher against 2012 and volume of fresh beef exported was 28.8% higher.

With the US dollar over 2.15 reais, Brazilian cattle gets more competitive and remains among the lowest in price against US, Australia, Argentina, Uruguay, Paraguay and Colombia. With a herd still increasing, that creates better opportunities for Brazilian exporting industries and increases revenues, as well as reduces beef availability in the domestic market.

With this better scenario for beef prices and also considering a decrease in supply of grass fed cattle, industries will rely on semi-confinement and feedlot supply from July until December, trend that pushes prices higher. Brazilian cattle seasonality points to a steady uptrend in prices at least until the end of October or first half of November. Considering a 5 year average, prices in November are 7.1% higher than registered in June, but so far futures market (BM&F) points to 4.8% increase in prices.

That will depend on feedlot availability and on beef demand, especially in the domestic market. Seasonality for consumption is bullish for beef prices on the second semester.

20130611_Saz boi gordo

Originally published on World Beef Report: http://tardaguila.com.uy/home/

Volatilidade: estudo no mercado do boi gordo

volatilidade
vo.la.ti.li.da.de
sf (volátil+i+dade) Econ Medida da estabilidade de um índice econômico ou do preço de uma ação, título ou mercadoria.

Em outras palavras, a volatilidade é a medida de risco de um ativo no mercado. Ou seja, quanto mais volátil, maior o risco intrínseco nas operações com esse ativo. Portanto, quanto menos volátil, menor o risco? Não…

Baixa volatilidade não significa ausência de risco ou mesmo o conhecimento de todos os riscos. Com exceção de mercados controlados, onde a atuação do governo funciona como um amortecedor (ou colchão) para impactos externos – pelo menos até certo ponto -, em todos os outros é preciso considerar externalidades e eventos não esperados.

Por outro lado, um ativo com forte volatilidade também não está protegido de choques de oferta/demanda, crises, efeitos regulatórios, etc., que possam aumentar ainda mais a volatilidade. Entretanto, uma diferença primordial seria que os players que atuam em mercados com maior volatilidade são obrigados a usar todas as ferramentas de gestão de risco, o que reduziria o efeito dessas externalidades.

No final, porém, estamos sempre sujeitos a essas externalidades…

O Cisne Negro

De acordo com a teoria de Nassim Taleb, um evento Cisne Negro é caracterizado por 3 fatores: raridade, impacto extremo e previsibilidade retrospectiva (após o fato surgem inúmeras explicações de como o evento poderia ter sido antecipado).

A escolha do cisne como metáfora deve-se a um fato histórico. Por décadas, na Europa, só se conhecia a existência de cisnes brancos, uma vez que todas as observações e relatos reportavam cisnes dessa cor. Com a descoberta da Austrália, entretanto, foram avistados os primeiros cisnes negros que se tinha conhecimento. A história é simples, mas a ideia por trás é realmente interessante: décadas de conhecimento, observações e estudos foram por água abaixo com apenas uma única observação.

O paralelo no mercado financeiro seria a ocorrência de eventos altamente improváveis, de grande impacto e sem explicação até logo após sua ocorrência, como foi a crise de 2008.

Existe uma ironia quanto a falar sobre eventos tipo Cisne Negro. Como sua ocorrência não pode ser esperada – ou seria possível se proteger e até se beneficiar do fato -, falar dele praticamente elimina o risco de sua ocorrência. Mas isso só seria 100% verdade se a informação fosse disseminada de maneira igualitária, democrática, sem filtros ou interferência. Como este não é o caso, assim como a crise de 2008 era anunciada por alguns Dr. Doom, o risco é real.

Excesso de calmaria

Assim como os mercados possuem períodos de maior estresse, muitas vezes temos períodos de calmaria. Nestes momentos, quando a oferta está ajustada à demanda ou quando fatores externos, como o clima para as commodities agrícolas, não impactaram o mercado de maneira significativa, cria-se uma ilusão de conforto.

Usando como exemplo o mercado do boi gordo na BM&FBovespa (figura abaixo), é possível verificar que anos de maior calmaria são seguidos por anos com maior volatilidade. Dos três picos de volatilidade registrados desde 1998, dois deles ocorreram logo após vales de volatilidade.

Volatilidade anual - BGI

O ano de 2013 caminha para o 2º lugar no ranking de anos com menor volatilidade. Considerando dados até abril, a volatilidade média ficou em 4,2% contra 7,6% da média desde 1998 e 7,0% do ano passado.

Futuro incerto

Apesar dessa calmaria aparente não é possível prever que teremos um aumento de volatilidade de imediato. Pode levar semanas, meses ou até anos, mas a história já mostrou que essa situação não dura para sempre, pelo menos considerando esse histórico de pouco mais de 15 anos.

Volatilidade mensal - BGI

Além disso, o aumento na volatilidade não indica uma tendência para o mercado. O gráfico de volatilidade mensal mostra uma tendência de incremento na média ao longo do ano, mas podemos ter aumento de volatilidade com mercado em alta ou em baixa.

A proximidade do fim da safra, quando a oferta aumenta e pressiona o mercado, pode elevar essa média. Por outro lado, a entrada da entressafra com as inúmeras incertezas quanto ao volume de gado confinado no 1º giro também.

O cenário é positivo do lado do custo de produção, uma vez que safras recordes de milho e soja já refletem em preços mais baixos, mas esse cenário mudou rapidamente em 2012 com a quebra de safra dos EUA e problemas climáticos por lá voltaram a afetar os preços no mercado interno.

Estratégias de gestão de risco

Essa condição cria oportunidades no mercado. Sem entrar na discussão se o preço está correto ou não, a baixa volatilidade permite aos players a compra de opções a um custo mais baixo. Com isso, é possível montar estratégias de hedge sem assumir uma posição no mercado futuro e, portanto, sem ter que arcar com margem de garantia e ajustes diários.

Outra possibilidade é a compra de opções OTM, tanto put quanto call, dependendo do view de mercado, mas com objetivo de aproveitar possíveis spikes de volatilidade ou alguma mudança mais significativa no rumo do mercado.

Obs. 1: operar no mercado de opções tem custo e qualquer estratégia deve ser bem estudada.

Obs. 2: esta não é uma recomendação de compra ou venda, mas apenas uma análise de mercado e de possíveis estratégias para gestão de risco.

FAO Commodity Indices

Ligeira alta no índice de alimentos da FAO em março: +0,8% em relação a fev/13, mas 1,7% abaixo de mar/12 e 11% abaixo do recorde em fev/11. Destaque para o movimento de carnes, óleos & gorduras e também dos cereais, todos em queda. Apenas açúcar e lácteos em alta.

FAO

Por ser um índice, não refere um preço exato, apenas a tendência. Portanto é interessante verificar que o grupo carnes permanece muito abaixo de praticamente todos os grupos, inclusive daqueles que compõem seu custo de produção, como o milho (cereais).